O Belo Hegêmonico

31 de março de 2025

De origem grega, a palavra hegemonia significa “comando”. Pode ser definido também como supremacia, domínio, poder que algo ou alguém exerce em relação aos demais. O termo é amplamente empregado por pensadores políticos em suas fundamentações teóricas.

O filósofo Gramsci afirmou que na hegemonia a concepção do mundo de um determinado grupo no comando é comumente adotada pelo grupo subordinado. Mesmo que essa concepção imposta não esteja em alinhamento com a vivência prática do grupo subordinado, pois essa incorporação é desprovida de consciência crítica e coerência. Mas o que isso tem a ver com o corpo?

O corpo é fruto de uma elaboração social, que para ser considerado belo e valoroso deve ser constituído de certos atributos. Atributos esses que são propostos através dos padrões de beleza de cada sociedade, variando em diferentes contextos.

Na sociedade contemporânea, a força das mídias tradicionais tem se perdido para o advento das redes sociais. O que antes era consumido de maneira passiva, hoje se modifica: como usuários somos mais do que apenas receptores de informação, mas também propagadores de conteúdo. Hoje, indivíduos ganham espaço nas telas e recebem status de fonte de informação pela decisão do público.

Relativamente recente na sociedade, o fenômeno do uso de redes sociais e sua influência tem sido estudados por diversas áreas do conhecimento. No contexto do corpo, redes sociais como o Facebook, Instagram e TikTok tem um papel importante na propagação de conteúdos sobre saúde, alimentação, emagrecimento e fitness.

Na era da exposição e do compartilhamento, não é incomum que aqueles corpos considerados ideais tomem um espaço de glória. As novas mídias exaltam e reforçam os padrões de beleza vigentes, criando a noção de que essas formas corporais são as corretas, independente da individualidade de cada ser. Em homens e mulheres, o uso frequente de redes sociais é preditor de maior insatisfação corporal. Mas, esse assunto vai ser explorado para outro post.